É hora de investir no Brasil e na geração de empregos

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No mesmo dia, 2 de fevereiro, no mesmo jornal, “O Estadão”, duas notícias foram apresentadas sem que fosse estabelecida uma relação entre elas, apesar de tratarem do mesmo tema: a mudança do perfil do emprego.

Numa das manchetes líamos: “Emprego industrial naufraga no ABC; serviços já têm mais de 50% das vagas”. Na outra: “Dilma comemora emprego recorde”.

Se os trabalhadores se concentrarem apenas na notícia que relata a perda de vagas nas indústrias do ABC, talvez fiquem preocupados.

Mas se ler o resto do texto perceberá que o ABC continua respondendo, com agressividade e muitas vezes se antecipando, às tendências da economia brasileira e mundial. Perceberá também que nossa energia regional é tão intensa que, como trabalhadores, estamos preparados para nos ajustar a várias situações econômicas seja no setor puramente industrial ou no setor de serviços e de comércio. Tanto é que o texto do “Estadão” confirma que as vagas no setor de serviços já representam, no Grande ABC, metade dos empregos gerados.

Ao ler no mesmo jornal o texto “Dilma comemora emprego recorde” descobrimos que a presidenta comemorava, num evento no Pará, as mais baixas taxas de desemprego no Brasil. "O Brasil é um país com as menores taxas de desemprego de toda sua história e também no mundo. Chegamos a 4,6%, que é considerada uma taxa baixa de desemprego, mas queremos que os empregos sejam cada vez melhores", discursou a presidente, citando o índice de dezembro passado divulgado pelo IBGE, a mais baixa taxa de desemprego desde o início da série em 2002.
Como, então, juntar as duas notícias na mesma determinação de trabalhadores e de cidadãos brasileiros?

Primeiro, muitos empresários do setor industrial ainda estão viciados nas renúncias fiscais do governo. Só conseguem preços competitivos e gerar empregos quando o governo abre mão dos impostos, como o IPI. No primeiro sinal de retomada dos patamares anteriores de impostos, típicos de qualquer economia capitalista, iniciam as demissões. Covardemente. Sem se preocupar em usar os ganhos que conseguiram com a renúncia fiscal do governo para investir na qualificação, na melhoria da produtividade e da competitividade nacional e internacional.

Ao mesmo tempo, os empresários do setor comercial e de serviços percebem, cada vez mais, que o Brasil tem uma nova economia com uma nova classe média. Ansiosa por preços ajustados aos seus bolsos, recheados pelo fato de quase toda a família estar agora empregada. E mesmo sem as renúncias fiscais do governo, tanto comércio quanto serviço melhoram o desempenho.

Mas todos os empresários, sejam do setor industrial ou das áreas de comércio e serviços, são pessoas sábias. Que consolidaram suas empresas com muita garra e determinação. E aqui e ali já percebemos que se alinham ao novo Brasil e que vão se ajustar rapidamente à nova realidade econômica.

Que exige muito mais do que chororô e chantagens econômicas e políticas através das demissões irresponsáveis. Está caindo a ficha e percebem que as aplicações financeiras, apoiadas em taxas estrondosas e vergonhosas de juros, ficaram para trás. É hora de investir no Brasil. Através de investimento industrial, da qualificação da mão de obra, da Educação dos jovens que assumirão seus postos na indústria nos próximos anos.

Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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